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Notícias

Santa Tereza reage à possível remoção de trilhos e cobra plano para recuperação da malha ferroviária no Vale do Taquari

Fonte: M. Rachele Comunicação
Data de publicação: 14 de novembro de 2025
Fotos: Talissa Lucas
Créditos: Jornalista Mônica Rachele - MTB 9791


As sucessivas catástrofes climáticas que atingiram o Rio Grande do Sul, em especial as enchentes de 2024, provocaram danos severos na malha ferroviária do Estado. Levantamentos preliminares indicam que cerca de 700 quilômetros de trilhos foram afetados, com custo estimado de recuperação entre R$ 3 e 4 bilhões, cenário que impacta diretamente o Vale do Taquari e a Serra Gaúcha. No mesmo contexto, o Trem dos Vales, um dos principais atrativos turísticos regionais, teve a temporada de 2024 cancelada devido aos estragos em túneis, trilhos e taludes ao longo do trecho entre Muçum e Guaporé, com prejuízos projetados em milhões de reais para a economia dos municípios englobados pelo passeio.

Em vez de um plano claro de reconstrução, a região passou a acompanhar, nas últimas semanas, o início da remoção de trilhos da Malha Sul pela concessionária Rumo Logística. Partes da estrutura – incluindo trilhos, fixadores e outros componentes – começaram a ser retiradas e encaminhadas para trechos em operação em Santa Catarina, em um processo classificado pela empresa como “remanejamento” autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A movimentação acendeu o alerta entre lideranças regionais, que temem a desativação definitiva de ligações históricas e estratégicas para cargas e turismo.

Ao tomar conhecimento da retirada de trilhos, a prefeita Gisele Caumo acionou imediatamente o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – já que Santa Tereza é município tombado em nível nacional – e solicitou a interrupção dos trabalhos. O órgão reconheceu a condição especial do município e determinou a paralisação. Em paralelo, a Prefeita buscou diálogo direto com a Rumo e se reuniu com representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em Porto Alegre, com intermediação do deputado estadual Dirceu Franciscon, para tratar do caso e cobrar explicações sobre a autorização federal para a retirada da malha.

Agora, a administração municipal trabalha para ampliar o debate para além das fronteiras de Santa Tereza. Gisele articula uma agenda com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela regulação e fiscalização das concessões ferroviárias, defendendo que qualquer decisão sobre a ferrovia considere a realidade dos municípios atingidos, especialmente os do Vale do Taquari, duramente impactados pelas enchentes e que ainda lutam pela retomada de suas atividades econômicas e turísticas.

A mobilização dos municípios ganha reforço com a recente recomendação expedida pelo Ministério Público Federal, que orientou a Rumo Malha Sul S/A e a própria ANTT a suspender imediatamente todo e qualquer remanejamento de trilhos, dormentes e componentes da via permanente no Rio Grande do Sul – salvo em situações de comprovada emergência de segurança operacional – e a apresentar um relatório detalhado de tudo o que já foi removido e para onde foi enviado. A medida vai ao encontro da cobrança de transparência feita por prefeituras, entidades empresariais e do turismo.

Para a prefeita Gisele Caumo, o momento exige união regional e uma mudança de olhar sobre o papel da ferrovia. “Não se trata apenas de dormentes e trilhos. Cada metro que se arranca é um pedaço da nossa história e uma oportunidade de desenvolvimento que se perde. Depois de tudo o que o Vale do Taquari viveu com as enchentes, o mínimo que esperamos é um plano sério de recuperação, e não o desmonte silencioso de um patrimônio que pertence à União e é fundamental para logística, turismo e para a vida de milhares de famílias”, afirma.

“Santa Tereza conseguiu, por enquanto, suspender a retirada em nosso território, mas a nossa preocupação é regional. Estamos buscando uma agenda com a ANTT e dialogando com outros prefeitos, entidades e lideranças para que a solução não seja retirar o que resta dos trilhos, e sim reconstruir um projeto de ferrovia que sirva às pessoas, ao desenvolvimento sustentável e ao futuro do Vale do Taquari e da Serra”, completa a Prefeita.

Enquanto aguarda a confirmação da reunião com a ANTT e o avanço das discussões no grupo de trabalho da Malha Sul, coordenado pelo Ministério dos Transportes, o Município seguirá acompanhando de perto qualquer movimentação na ferrovia e reforçando, junto às demais esferas de governo a defesa da malha como patrimônio histórico, vetor logístico estratégico e eixo estruturante para o turismo regional.

Lei Aldir Blanc

Confira o andamento das ações realizadas com recursos da Lei 14.399/2022 PNAB

Câmara de Vereadores

Informações sobre as sessões plenárias e trabalhos realizados pelo legislativo municipal de Santa Tereza.